< Blog

Rinite alérgica – o que a COVID-19 nos ensinou!

Imagem_Noticia_3semana_Setembro2020

Com o surgimento da pandemia COVID-19 têm sido adoptadas cada vez mais medidas de protecção, com recurso à utilização de equipamentos pessoais para prevenção da transmissão viral, como é o caso das máscaras cirúrgicas.

Estes novos comportamentos/equipamentos têm também impacto em doenças já conhecidas como é o caso da rinite alérgica. Esta última é uma doença altamente prevalente atingindo cerca de 10 a 22% da população geral, consistindo numa doença inflamatória crónica da mucosa nasal, que tem como origem a exposição a determinados estímulos, denominados de alérgenos. Estes alérgenos, uma vez dentro do nariz, e em contacto com a mucosa nasal, desencadeiam uma resposta do nosso sistema imunológico, um dos sistemas de defesa do nosso organismo.

Os alérgenos mais frequentemente associados são os ácaros, pólens e os bolores.

 

Clinicamente a rinite alérgica manifesta-se por:

– corrimento nasal;

– nariz entupido;

– espirros;

– comichão no nariz;

– comichão nos olhos.

 

Pode ser classificada de acordo com o número de dias em que as pessoas têm queixas, nomeadamente em:

– intermitente, se dura menos de 4 dias por semana ou menos de 4 semanas;

– persistente, se dura mais de 4 dias por semana e mais de 4 semanas.

 

Os pacientes com queixas intermitentes têm mais tendência a apresentar espirros, sintomas oculares e corrimento nasal aquoso, ao passo que os pacientes com queixas persistentes tem mais frequentemente secreções nasais mucosas, corrimento posterior, alterações do olfacto e nariz entupido.

Muitas vezes podem co-existir outras patologias como sejam a asma, a sinusite crónica e a dermatite atópica.

 

Novidades

Num estudo realizado recentemente, os autores foram avaliar o impacto do uso de máscaras cirúrgicas e máscaras P2 nas queixas de rinite alérgica. Para isso, avaliaram a evolução das queixas de rinite alérgica (corrimento aquoso, espirros, nariz entupido, comichão no nariz e olhos) em enfermeiros após o uso de máscaras durante 1 a 2 semanas.

Os autores puderam verificar que:

– Os enfermeiros com queixas intermitentes obtiveram uma melhoria significativa das queixas;

– A melhoria foi observada em todos os sintomas, excepto na comichão dos olhos;

– Esta melhoria foi semelhante entre os 2 tipos de máscara;

– Os enfermeiros com rinite persistente não obtiveram melhoria clínica com o uso das máscaras.

 

Em suma,

Os autores consideram que esta melhoria dos sintomas está relacionada com o uso das máscaras devido a uma menor inalação de alérgenos, que ficam retidos nos filtros, e ao aumento da temperatura e da humidade do ar inalado. A ausência de melhoria dos sintomas oculares deve-se ao facto do olho continuar a estar exposto e de poder ser um local de contacto com as substâncias alérgicas.

Será que no futuro o uso de máscara cirúrgica poderá ser considerado uma forma de prevenir crises de rinite alérgica em pacientes específicos?

 

Para mais informação clique aqui ou consulte O Seu Otorrino.

Partilhar:
Otorrinolaringologista e Cirurgião de Cabeça e Pescoço
Partilhar:
© 2021 O Seu Otorrino - All Rights Reserved.
Webdesign: Tecla Digital

O Seu Otorrino está registado na ERS com o n.º 42763. Pode consultar a certidão aqui.